terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

LSD

Fúnebre por ser tão alegre
Esta mentira que tu tomas
Numa doce verdade
Fúnebre por ser assim tão solto
Tão livre e ávido por vida
Fúnebre por ser tão grande
Que a vontade de voltar
A ser pequeno é quase nada.
Dança por entre as mascaras
Pula perante um chão que se move
Viva na certeza de sorrir
Com dentes fartos

A Noite

O sol ao apagar suas luzes deveras
Apaga algumas vidas em flor
Transforma numa difusa agonia
Fadas em monstros de dor

Todos os dias depois que a pele queima
que as lagimas caem
Secam também as flores
Que não se abrem ao luar

O ouvido se mistura com a boca
O orgasmo mistura com a dança
Que nem sempre acaba na cama
E sim ao relento do ar

Lagrimas

Brilham sobre seus olhos
Minha imagem ainda triste.
Lagrimas são só minhas!
Sinto-as caírem, rolarem
Sobre minha epiderme grossa.
Num suspiro fingido
Faço com que a gravidade
As apaguem no chão de poeira e caos.
Viro, fico de costas.
Mas não, não poderei olhar mais.
Como o sol pode me deixar cego
Seu brilho pode me deixar nu.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Coração

Meu coracão tomaba mais uma vez.

De diverssas formas. Por muitos caminhios.

E eu que sou o outro e o outro de outro outro

Percebo a eminência de uma epidemia

Onde o coracão pode parar de ser vida em minutos.

Toda a frustraçãoo de não se ter certeza dos segunsdos

Dos milímetros que se movem, dos litros que se perdem.

Dos olhos arregalados naquele momento de dor triturante.

A imencidão parece coagir a pequenice do homem.

A saudade de tudo que talvez não fosse realmente verdade.

A voracidade de se olhar num espelho vazio.

E o outro que não sou eu se contorce, quase urra de dor.

E mais outro que não sou eu deita no chão,

No meio da avenida Rio Brando, todo palido.

E outro que sou eu tembém sente essa dor.

Tanto por que ama os outros todos como também sente

Que a qualquer momento este outro pode ser o seu.

Ai a vida parece ratear, dessacelerar, como um carro desanimado.

E no meu espelho que ainda permanesse cheio,

Me vejo torto, corpulento, com a barba para fezer.

Sinto que a frieza da vida se alastra em alguns momentos.

Não choro, não grito, mas fico parado esperando

Sem fazer mais nada, sem querer mais nada,

O instante em que o meu tornitruante coracão possa fugir.



quinta-feira, 25 de novembro de 2010

cantiga para não ninar

Deus fez da minha sorte uma brincadeira dançante.
E eu, menino curioso e quase depravado, aprendi a dançar.
Enquanto os tambores zuniam os homens para longe da terra
E os santos louvados apareciam em seu lugar,
Eu batia mais forte no couro iluminado pelo seu olhar.
E ele, meu deus brincalhão, vinha sorrindo com seu falos na mão.
Era Exu meu senhor, que não me deixa parar de dançar.
Era Exu, deus da vida, que malicioso vem me afagar.

Novembro

O som tonitruante de um bumbo ancestral
Transformado em explosão do metal,
Da gasolina e gás carbônico subindo aos céus.
Os foliões desinibidos que enchiam as ruas
Pulando e dançando suados por todas as partes
Mais parecem enlatados em trens subterrâneos,
Com medo da rua, dos passos que dão no asfalto.
O samba dos blocos, das bandas e dos anarquistas
É agora transmissão ao vivo de toda essa fulga
Deus salve o Rio de Novembro,
Rio que tenta se esconder em Janeiro
E deságua em Fevereiros de mágoas
Até quando o Balagandã das mulatas zumbirão como balas,
E as temíveis coronhadas virarão dança alucinante?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

IKÙ

Ikú, orixá tão belo,

Que as moças e ate os donzelos

Buscavam por entre os campos,

Era o que de mais real tinha,

No mundo que meu pai vivia,

A morte e toda sua completa sorte.



Era ele sim esse deus sombrio.

Que nas noites de dor e de frio,

Arrastava por entre charmes e beijos

Os homens mais valentes do povo.

Levava então seduzindo, sem força,

Para sua morada sinistra e sombria



Quem diria que criatura tão bela,

Magnífica figura de perfeitos traços,

Moraria na densa floresta da morte.

Lá ele era o senhor de todas as coisas

Ele era sim, a fria e temida morte,

Que infelizmente nem Exu pode matar