Ikú, aquele orixá tão belo,
Que as moças e ate os donzelos
Buscavam por entre os campos,
Era o que de mais real tinha,
No mundo que meu pai vivia,
A morte e toda sua completa sorte.
Era ele sim esse deus sombrio
Que nas noites de dor e de frio,
Arrastava por entre charmes e beijos
Os homens mais valentes do povo.
Levava então seduzindo, sem força,
Para sua morada sinistra e sombria
Quem diria que criatura tão bela,
Magnífica figura de perfeitos traços,
Moraria na densa floresta da morte.
Lá ele era o senhor de todas as coisas
Ele era sim, a fria e temida morte,
Que infelizmente nem Exu pode matar
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
Tem que ter dendê
Tem que ter dendê.
Na veia que leva e traz essa vida.
No caldeirão fervendo que te impulsiona.
Fazendo do quente o mundo que gira.
Da armadura verde de Ogum.
É mariô
Proteção e passagem para todos os mundos.
Dos olhos abertos do deus Ifá.
É o ikin
Ferramenta que mostra o caminho de todos.
Da boca de fogo que tem Xangô.
É Ajerê
Labareda que queima e espalha essa força.
Tem que ter dendê.
No filho que cheira a luta dos homens.
Na mãe que frita nove meses a cria.
Fazendo do óleo o mundo que gira.
Do vento feroz que sopra Iansã.
É Acarejé
Alimento da alma de mulheres valentes.
Das artimanhas cruéis de Exu.
É o Padé
Símbolo e imagem que liga e transforma.
Da proibição de beber de Oxalá.
È vinho de palma
Sono profundo que te faz esquecer.
Tem que ter dendê.
Como símbolo que revigora o passado.
Como força que arromba o futuro.
Como vivencia que seduz o presente.
Na veia que leva e traz essa vida.
No caldeirão fervendo que te impulsiona.
Fazendo do quente o mundo que gira.
Da armadura verde de Ogum.
É mariô
Proteção e passagem para todos os mundos.
Dos olhos abertos do deus Ifá.
É o ikin
Ferramenta que mostra o caminho de todos.
Da boca de fogo que tem Xangô.
É Ajerê
Labareda que queima e espalha essa força.
Tem que ter dendê.
No filho que cheira a luta dos homens.
Na mãe que frita nove meses a cria.
Fazendo do óleo o mundo que gira.
Do vento feroz que sopra Iansã.
É Acarejé
Alimento da alma de mulheres valentes.
Das artimanhas cruéis de Exu.
É o Padé
Símbolo e imagem que liga e transforma.
Da proibição de beber de Oxalá.
È vinho de palma
Sono profundo que te faz esquecer.
Tem que ter dendê.
Como símbolo que revigora o passado.
Como força que arromba o futuro.
Como vivencia que seduz o presente.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Preguiça
Se sinto esta falta de vontade
Sou quase um ser perfeito.
Não sinto mais desejo de ter,
Poder sentir, viver os toques;
Os moldes que devem existir
Se sinto esta falta de vontade
Sou quase um ser da bíblia.
Falido, sem vida fazendo careta.
Sem tocar no amor mais ardente
Na fúria ou alegria de gente
Se sinto esta falta de vontade
Sou quase uma pedra budista.
Sabendo viver mais que plácido,
Como uma pedra que se deixa,
Se larga no mar, num rio, num lago.
Se não sinto esta vontade agora
Sou quase uma preguiça
De poder existir.
Sou quase um ser perfeito.
Não sinto mais desejo de ter,
Poder sentir, viver os toques;
Os moldes que devem existir
Se sinto esta falta de vontade
Sou quase um ser da bíblia.
Falido, sem vida fazendo careta.
Sem tocar no amor mais ardente
Na fúria ou alegria de gente
Se sinto esta falta de vontade
Sou quase uma pedra budista.
Sabendo viver mais que plácido,
Como uma pedra que se deixa,
Se larga no mar, num rio, num lago.
Se não sinto esta vontade agora
Sou quase uma preguiça
De poder existir.
Saudade
O vendo sopra mais um dia.
Meus cabelos se deixam, se embaralham.
E a vida continua...
Mais uma festa e a bebida já me faz rir.
Ainda meio envergonhado começo a dançar.
E sinto mais uma vez que a vida continua.
Às vezes nem lembro mais...
Tenho que respirar, correr, brigar, sorrir,
E como sempre sinto que a vida continua.
Mas em verdadeiros instantes,
Estes em que acabo decidindo quem sou,
Afirmando quem fui e quem vou ser,
Você está la dançando sua dança louca
Como uma marca eterna da saudade.
Meus cabelos se deixam, se embaralham.
E a vida continua...
Mais uma festa e a bebida já me faz rir.
Ainda meio envergonhado começo a dançar.
E sinto mais uma vez que a vida continua.
Às vezes nem lembro mais...
Tenho que respirar, correr, brigar, sorrir,
E como sempre sinto que a vida continua.
Mas em verdadeiros instantes,
Estes em que acabo decidindo quem sou,
Afirmando quem fui e quem vou ser,
Você está la dançando sua dança louca
Como uma marca eterna da saudade.
domingo, 18 de outubro de 2009
A Flor
Ser a flor deste mundo.
Pisada, cortada, alterada geneticamente.
Florescer em estandes de super mercados.
Com olhos de inveja sobre seu caule.
Morrer por amor.
– Mau me quer, bem me quer –
Por mãos ainda trêmulas e carentes.
Por olhos tampados de medo.
E a natureza vive...
Mesmo fazendo inalações repentinas.
Mesmo respirando a fumaça-progresso.
Pisada, cortada, alterada geneticamente.
Florescer em estandes de super mercados.
Com olhos de inveja sobre seu caule.
Morrer por amor.
– Mau me quer, bem me quer –
Por mãos ainda trêmulas e carentes.
Por olhos tampados de medo.
E a natureza vive...
Mesmo fazendo inalações repentinas.
Mesmo respirando a fumaça-progresso.
Rasga
Rasga.
Sobe sobre meus ombros.
Angustia todos os poros.
E do amarrotado coração salta,
Pulsa e quase explode,
Dentro d´alma turva,
A fulgaz razão que me afunda.
Olhares por todas as partes
Moças que passam, rabos que bumbam.
Carros não param, nem no vermelho esperam.
O sol já não queima, arde.
Encharca de suor um corpo,
Verte de terror um dorso.
Sobe sobre meus ombros.
Angustia todos os poros.
E do amarrotado coração salta,
Pulsa e quase explode,
Dentro d´alma turva,
A fulgaz razão que me afunda.
Olhares por todas as partes
Moças que passam, rabos que bumbam.
Carros não param, nem no vermelho esperam.
O sol já não queima, arde.
Encharca de suor um corpo,
Verte de terror um dorso.
...
Deste mundo só espero sua dor.
Mas a dor sendo sua me faz todo.
E o ar, as ondas, a pólvora e o barro;
Completam, explodem, balançam, moldam.
Pois são realmente minhas tuas verdades.
E a tua dor me faz tão seu.
Que derretido, quebrado, maltrapilho, vendado.
De vez em quando choro quando não sofro.
Mundo estranho quando dele só se espera o amor,
Pois quase rimando com dor ele mata.
E o meu amor é a dor tua.
Que puro não é.
E a ti pertence.
Mas a dor sendo sua me faz todo.
E o ar, as ondas, a pólvora e o barro;
Completam, explodem, balançam, moldam.
Pois são realmente minhas tuas verdades.
E a tua dor me faz tão seu.
Que derretido, quebrado, maltrapilho, vendado.
De vez em quando choro quando não sofro.
Mundo estranho quando dele só se espera o amor,
Pois quase rimando com dor ele mata.
E o meu amor é a dor tua.
Que puro não é.
E a ti pertence.
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